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Cerveja Catharina Sour: Guia Completo do Estilo Brasileiro com Frutas

Copo de cerveja sour sendo servido, estilo acido e refrescante

A cerveja Catharina Sour é o maior orgulho da cena cervejeira nacional: um estilo ácido, leve e carregado de fruta fresca que nasceu em Santa Catarina e conquistou um lugar oficial no guia internacional de estilos. Se você já provou uma sour de maracujá ou de goiaba numa cervejaria catarinense e achou que estava bebendo um suco adulto, muito provavelmente era uma Catharina Sour.

Neste guia completo você vai entender o que define a Catharina Sour, como ela surgiu, por que o calor brasileiro e a nossa variedade de frutas foram decisivos para o estilo, quais são as versões mais comuns, como servir, o que comer junto e onde encontrar os melhores rótulos do Brasil. Tudo em linguagem direta, sem perder a parte técnica que o cervejeiro curioso gosta de saber.

Se você ainda está chegando no universo das cervejas ácidas, vale começar pelo nosso guia sobre o que é cerveja sour, que explica a família inteira. Aqui vamos mergulhar fundo na sour mais brasileira de todas.

Régua de degustação com cervejas artesanais de cores diferentes, incluindo estilos claros e turvos como a Catharina Sour
A Catharina Sour é leve, ácida e frutada: feita para o clima quente do Brasil.

O que é a cerveja Catharina Sour

Definição técnica

Pelas diretrizes do BJCP (Beer Judge Certification Program), a Catharina Sour é uma cerveja de trigo ou de malte claro, de baixa a moderada graduação alcoólica, com acidez lática limpa e adição obrigatória de fruta fresca. O estilo está catalogado nas diretrizes de 2021 como X4 – Catharina Sour, na seção de estilos locais.

Os números de referência são: densidade original entre 1.039 e 1.048, densidade final entre 1.004 e 1.012, teor alcoólico de 4% a 5,5%, amargor de 2 a 8 IBU e cor que varia de 2 a 7 SRM antes da fruta. Depois da fruta, a cor pode ir do amarelo-palha ao roxo profundo, dependendo do ingrediente usado.

O processo característico é o kettle sour (acidificação na tina): o mosto é inoculado com lactobacilos, fica algumas horas ou dias acidificando, e depois é fervido. A fervura mata as bactérias e “trava” a acidez, o que torna a cerveja limpa, previsível e segura para o resto do equipamento da cervejaria. Em seguida, a fermentação é feita com levedura ale neutra e a fruta é adicionada, geralmente na maturação.

Por que se chama Catharina Sour

O nome é uma homenagem direta ao estado de Santa Catarina, berço do estilo. A grafia com “th” remete à escrita antiga do nome do estado e também dá um ar de tradição germânica, que combina com a forte colonização alemã do Vale do Itajaí, onde ficam Blumenau, Pomerode e Indaial. “Sour”, em inglês, significa azedo, e é o termo usado no mundo inteiro para cervejas ácidas.

Ou seja, Catharina Sour quer dizer literalmente “a sour catarinense”, e é assim que muitos cervejeiros ainda se referem a ela no balcão.

História e origem da Catharina Sour

Origem histórica

A história da Catharina Sour começa por volta de 2015, quando cervejarias catarinenses passaram a produzir sours leves com frutas para dar conta do verão quente do litoral e do interior do estado. Cada uma fazia do seu jeito, mas havia um padrão claro: cerveja de corpo leve, acidez feita com lactobacilos na tina, pouco lúpulo e muita fruta de verdade.

Cervejeiros caseiros e profissionais, com participação ativa da Acerva Catarinense (associação dos cervejeiros artesanais do estado), perceberam que aquilo já era um estilo com identidade própria. Entre 2015 e 2016 o grupo documentou as características, definiu parâmetros e passou a usar o nome Catharina Sour em concursos. O Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, foi uma vitrine importante para espalhar a ideia.

Do concurso local ao BJCP

O passo seguinte foi submeter o estilo ao BJCP, a principal referência mundial para julgamento de cervejas. Em 2018 a Catharina Sour foi aceita como estilo provisório e, nas diretrizes de 2021, ganhou lugar fixo entre os estilos locais, ao lado de nomes como a Italian Grape Ale e a New Zealand Pilsner.

Foi um marco: pela primeira vez um estilo de cerveja criado no Brasil passou a ser julgado com regras próprias em concursos do mundo inteiro. Desde então, cervejarias de outros países também passaram a produzir Catharina Sour, muitas vezes usando frutas locais delas, o que é exatamente o espírito do estilo.

A Catharina Sour no Brasil hoje

Hoje a Catharina Sour está espalhada pelo país. Santa Catarina continua sendo o principal polo, mas cervejarias de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e do Nordeste produzem versões com frutas regionais. Cajá e caju no Nordeste, açaí e cupuaçu no Norte, jabuticaba em Minas, butiá no Sul: o estilo virou uma forma de contar a geografia brasileira em forma de cerveja.

Ela também é uma das portas de entrada mais eficientes para quem acha que “não gosta de cerveja artesanal”. Como não tem amargor e lembra suco de fruta, conquista muita gente que só bebia Pilsen ou Duplo Malte. Algumas cervejarias inclusive já testam versões com baixo teor alcoólico, aproximando a Catharina Sour do público da cerveja sem álcool.

Características da Catharina Sour

Aparência

A cor da Catharina Sour depende quase totalmente da fruta. Uma versão de maracujá fica amarelo-dourada, a de goiaba vermelha fica rosada, a de jabuticaba ou amora fica roxa e a de pitanga ganha um laranja-avermelhado intenso. A turbidez é comum por causa do trigo e da polpa da fruta, e não é considerada defeito.

A espuma é branca ou levemente tingida pela fruta, de formação moderada e retenção média a baixa, já que a acidez e a fruta atrapalham a estabilidade. A carbonatação é alta, o que deixa a cerveja viva e borbulhante no copo.

Aroma

O aroma é dominado pela fruta, que deve ser reconhecível logo de cara: quem prova uma Catharina Sour de maracujá precisa sentir maracujá sem precisar ler o rótulo. Por trás aparece uma nota lática, limpa, parecida com iogurte natural ou com limão. Notas leves de pão ou cereal do malte e do trigo podem surgir de fundo.

O que não deve aparecer: aroma de vinagre (ácido acético), notas de queijo, “suor” ou terra, que indicam contaminação, nem aroma forte de lúpulo. Também não deve haver aroma de fruta artificial, como de bala ou xarope.

Sabor e perfil

Na boca, a acidez vem primeiro, viva e refrescante, mas sem agredir. Logo em seguida a fruta toma conta, trazendo dulçor natural e complexidade. O final é seco, com a acidez limpando o paladar e convidando para o próximo gole. O amargor é praticamente zero.

O grande desafio do cervejeiro é o equilíbrio. Uma Catharina Sour bem feita é ácida, mas não azeda demais; frutada, mas não doce como refrigerante. A fruta e a acidez precisam conversar, e nenhuma das duas pode esconder a outra.

Corpo e teor alcoólico

O corpo é leve a médio-leve, e a sensação é de leveza total. O teor alcoólico fica entre 4% e 5,5%, o que é um pouco acima da Berliner Weisse e muito parecido com uma lager comum. Essa graduação moderada permite beber mais de uma garrafa num dia quente sem pesar, algo que fez muita diferença para o estilo pegar no verão brasileiro.

Tipos e variedades de Catharina Sour

Como o regulamento do estilo é aberto quanto à fruta, as variações são praticamente infinitas. Abaixo estão as versões mais comuns no mercado brasileiro e o que esperar de cada uma.

Catharina Sour de maracujá

A mais clássica de todas. O maracujá tem acidez natural alta e aroma tropical explosivo, que se encaixa perfeitamente na acidez lática da cerveja. O resultado é uma Catharina Sour amarelo-dourada, perfumada e muito refrescante. É a melhor opção para quem está provando o estilo pela primeira vez.

Catharina Sour de goiaba

A goiaba vermelha dá cor rosada e um aroma doce, quase floral, com aquele toque terroso típico da fruta. É uma Catharina Sour mais redonda e menos agressiva na acidez percebida, porque o dulçor da goiaba suaviza o conjunto. Faz muito sucesso com quem gosta de sobremesas brasileiras.

Catharina Sour de jabuticaba

A jabuticaba traz cor roxa profunda, taninos leves da casca e um sabor que lembra uva e vinho tinto jovem. É uma das versões mais elegantes do estilo e mostra bem como a Catharina Sour pode valorizar uma fruta genuinamente brasileira, que quase não existe fora daqui.

Catharina Sour de pitanga e acerola

Pitanga e acerola são frutas ácidas e aromáticas que reforçam a acidez da cerveja. A pitanga traz notas resinosas e levemente picantes; a acerola, um perfil cítrico de vitamina C. São versões intensas, para quem já gosta de sours mais vibrantes.

Catharina Sour de pêssego e frutas de caroço

Pêssego, ameixa e nectarina dão uma Catharina Sour mais suave, macia e perfumada. A acidez fica mais contida e o aroma lembra calda de fruta. Uma das Catharina Sour de pêssego mais premiadas do país foi feita justamente em Blumenau, mostrando que o estilo não depende só de fruta tropical.

Catharina Sour de frutas do Norte e Nordeste

Cajá, caju, cupuaçu, bacuri, taperebá e açaí abriram uma nova fronteira para o estilo. São frutas com aromas muito intensos e às vezes difíceis de trabalhar, mas que geram versões únicas no mundo. Cervejarias regionais têm usado a Catharina Sour para valorizar ingredientes locais e criar rótulos com forte identidade.

Catharina Sour com especiarias ou madeira

Algumas cervejarias vão além e combinam fruta com especiarias (pimenta-rosa, gengibre, manjericão) ou com passagem por madeira. Essas versões geralmente fogem um pouco do estilo clássico e entram em categorias experimentais em concursos, mas mostram a versatilidade da base.

Garrafa de cerveja artesanal com frutas brasileiras ao fundo, ingredientes da Catharina Sour
Cada fruta muda a cor, o aroma e a acidez percebida da Catharina Sour.

Tabela comparativa: Catharina Sour e outras sours

Para entender onde a Catharina Sour se encaixa, compare com as principais sours leves que você encontra no mercado brasileiro:

EstiloOrigemÁlcool (ABV)Amargor (IBU)FrutaPerfil
Catharina SourBrasil (SC)4% – 5,5%2 – 8Obrigatória, frescaÁcida, frutada, seca
Berliner WeisseAlemanha2,8% – 3,8%3 – 8Opcional (xarope à parte)Muito leve, lática, pão
GoseAlemanha4,2% – 4,8%5 – 12OpcionalÁcida, salgada, coentro
Fruited Sour modernaEUA4% – 7%0 – 10Muita fruta e purêDoce, densa, “smoothie”
Lambic de frutaBélgica5% – 7%0 – 10Cereja, framboesaComplexa, funky, envelhecida
Flanders RedBélgica4,6% – 6,5%10 – 25NãoVinhosa, acética leve, madeira

Repare que a Catharina Sour fica no meio do caminho: mais encorpada e alcoólica que a Berliner Weisse, mais limpa e simples que as lambics, e menos doce que as fruited sours americanas que viraram moda. Se você gosta do sal da cerveja Gose, vale experimentar as duas lado a lado para perceber a diferença.

Ingredientes e processo da Catharina Sour

A receita da Catharina Sour é simples no papel, mas exige controle. Entender cada ingrediente ajuda a perceber por que o estilo é tão limpo e refrescante.

Malte e trigo

A base costuma ser malte Pilsen com até 50% de trigo maltado. O trigo ajuda no corpo, na espuma e na turbidez. Maltes especiais escuros praticamente não são usados, porque a cor e o sabor da fruta devem ser os protagonistas.

Lactobacilos

Os lactobacilos são bactérias que transformam açúcar em ácido lático, o mesmo ácido do iogurte. Na Catharina Sour, as cepas mais usadas são Lactobacillus plantarum e Lactobacillus brevis, inclusive cepas probióticas vendidas em cápsula. Eles trabalham melhor em temperatura alta, entre 35 °C e 45 °C, o que torna o processo tranquilo no clima brasileiro.

Lúpulo

O lúpulo entra em quantidade mínima, só para fins de estabilidade. Ele tem ação antibacteriana e, por isso, é adicionado somente depois da acidificação, na fervura. Diferente de uma IPA, aqui o lúpulo não deve aparecer no aroma nem no amargor.

Levedura

Após a fervura, a fermentação é feita com levedura ale neutra, que não compete com a fruta. Algumas cervejarias usam leveduras norueguesas tipo Kveik, que fermentam rápido em temperatura alta e combinam muito bem com o clima e a proposta do estilo.

Fruta

A fruta é obrigatória e precisa ser fresca, congelada ou em polpa minimamente processada. Xaropes, essências e aromatizantes não são aceitos no estilo. A quantidade costuma ser alta, de 100 a 300 gramas por litro, e a fruta geralmente entra na maturação, depois da fermentação principal, para preservar o aroma.

FrutaRegião típicaCor resultanteAcidez da frutaPerfil na cerveja
MaracujáTodo o BrasilAmarelo-douradoAltaTropical, perfumado, cítrico
GoiabaSudeste e NordesteRosadaMédiaDoce, floral, terroso
JabuticabaMinas Gerais e SPRoxaMédiaUva, vinho tinto, leve tanino
PitangaLitoral e SulLaranja-avermelhadaAltaResinoso, picante, intenso
ButiáRS e SCAmarelo-alaranjadoAltaAbacaxi, banana, baunilha
CajáNordesteAmarelaAltaExótico, ácido, muito aromático
PêssegoSulDourado-pálidaBaixaMacio, calda, delicado

Se você tem vontade de produzir a sua, o método kettle sour é um dos mais seguros para iniciantes. Antes, porém, domine o básico com o nosso guia de como fazer cerveja artesanal em casa: a parte de sanitização e controle de temperatura é ainda mais importante numa sour.

Como servir a Catharina Sour

Temperatura

A temperatura ideal da Catharina Sour fica entre 4 °C e 7 °C. Ela deve estar bem gelada, mas não trincando: abaixo disso, o frio fecha os aromas da fruta, e você perde justamente a parte mais interessante da cerveja. Nunca coloque gelo no copo, porque a água dilui a fruta e mata a carbonatação.

Copo

Os melhores copos são a taça tulipa e a taça de vinho branco, que concentram o aroma da fruta na boca do copo. Um copo tipo Teku também funciona muito bem. Em bares de praia e no dia a dia, um copo americano limpo e sem resíduo de detergente resolve, mas você perde um pouco do aroma.

Como servir

Sirva inclinando o copo a 45 graus e endireite no final para formar dois dedos de espuma. Se a cerveja tiver muita polpa no fundo da garrafa, você pode escolher: deixar o sedimento na garrafa para um copo mais límpido ou agitar levemente para aproveitar toda a fruta. Ambos são corretos; é questão de gosto.

Momento ideal

A Catharina Sour brilha em dias quentes, na beira da piscina, em churrascos de verão, em almoços de praia e como aperitivo antes do jantar. Também é uma ótima cerveja para abrir uma degustação, antes de estilos mais intensos como IPAs e stouts, porque prepara o paladar sem cansá-lo.

Cerveja artesanal servida no balcão do bar com garrafa e copo, como servir a Catharina Sour
Sirva a Catharina Sour entre 4 °C e 7 °C, de preferência em taça tulipa ou de vinho.

Harmonização da Catharina Sour com comida brasileira

A acidez da Catharina Sour é uma ferramenta poderosa na mesa: ela corta gordura, realça frutos do mar e conversa com sobremesas de fruta. Para entender os princípios por trás das combinações, veja nosso guia de harmonização de cerveja artesanal com comida brasileira.

Pratos que combinam

  • Ceviche e peixe cru: a acidez da cerveja espelha o limão do prato, e a fruta traz um toque tropical.
  • Moqueca capixaba ou baiana: a Catharina Sour de maracujá ou cajá limpa o dendê e o leite de coco.
  • Pastel de feira, coxinha e bolinho de bacalhau: a carbonatação alta e a acidez cortam a fritura.
  • Queijo coalho grelhado com melado: o salgado do queijo contrasta com a fruta e a acidez.
  • Camarão no alho e óleo ou casquinha de siri: frutos do mar adoram cervejas ácidas.
  • Salada com manga, rúcula e castanha: a cerveja acompanha o lado fresco e frutado do prato.
  • Cheesecake de goiaba, pavê de maracujá ou mousse de frutas: a acidez equilibra o doce da sobremesa.

Pratos a evitar

  • Pratos muito apimentados, como acarajé com muita pimenta: a acidez potencializa a ardência.
  • Feijoada e cozidos pesados: a Catharina Sour é leve demais e some diante do prato.
  • Chocolate amargo intenso: o amargor do cacau briga com a acidez e deixa a cerveja metálica.
  • Carnes defumadas fortes: o defumado domina e esconde a fruta.
  • Pratos com vinagre em excesso: acidez sobre acidez cansa o paladar rapidamente.
Variedade de cervejas artesanais incluindo Catharina Sour para harmonização com comida brasileira
Na mesa, a Catharina Sour vai bem com frutos do mar, frituras e sobremesas de fruta.

Como avaliar uma boa Catharina Sour

Saber o que procurar no copo ajuda a separar uma cerveja bem feita de uma que só pegou carona na moda. Os juízes de concurso olham principalmente para quatro pontos, e você pode fazer o mesmo em casa.

Fruta reconhecível

A primeira pergunta é simples: dá para identificar a fruta de olhos fechados? Se a cerveja diz ser de goiaba, mas o aroma lembra apenas “fruta vermelha genérica”, algo deu errado. Fruta pouca, fruta velha ou fruta adicionada cedo demais (e consumida pela fermentação) costumam ser as causas.

Acidez limpa

A acidez deve ser lática, parecida com iogurte ou limão. Se o nariz sentir vinagre, a cerveja teve contato com oxigênio ou com bactérias acéticas. Se aparecer cheiro de vômito, queijo parmesão ou meia suada, é sinal de contaminação por outras bactérias durante a acidificação, um defeito grave.

Equilíbrio e secura

Uma Catharina Sour não deve ser enjoativa. Se o final é doce e pegajoso, sobrou açúcar demais da fruta ou a cerveja foi adoçada. Se a acidez arranha a garganta, faltou fruta ou a acidificação passou do ponto. O ideal é um final seco, que pede o próximo gole.

Carbonatação viva

A carbonatação alta faz parte do estilo. Uma Catharina Sour “choca” perde metade do encanto, porque é o gás que leva o aroma da fruta até o nariz. Desconfie de latas estufadas ou de garrafas que espumam demais ao abrir: pode ser refermentação indesejada da fruta.

Mitos comuns sobre a Catharina Sour

“Cerveja ácida é cerveja estragada.” Não é. A acidez da Catharina Sour é proposital, controlada e segura; o ácido lático é o mesmo do iogurte e do chucrute. “Toda sour faz mal ao estômago.” Pessoas com gastrite podem sentir desconforto, como acontece com suco de laranja ou refrigerante, mas para a maioria a Catharina Sour é tão tranquila quanto qualquer outra cerveja leve. “É cerveja com suco.” Também não: a fruta passa pela maturação junto com a cerveja, e parte dos açúcares é fermentada, o que transforma o sabor e integra a fruta ao conjunto de um jeito que nenhuma mistura feita no copo consegue reproduzir.

Melhores Catharina Sour do Brasil

Muitas Catharina Sour são sazonais e mudam de fruta ao longo do ano, por isso o mais seguro é conhecer as cervejarias que dominam o estilo e acompanhar os lançamentos. Para conhecer outras casas de destaque, veja também nossa lista das melhores cervejarias artesanais do Brasil.

  1. Cervejaria Blumenau (Blumenau, SC): autora de uma das Catharina Sour de pêssego mais premiadas do país, referência obrigatória do estilo.
  2. Lohn Bier (Lauro Müller, SC): cervejaria catarinense conhecida pelas sours e pelo uso de ingredientes locais, com várias versões de Catharina Sour ao longo dos anos.
  3. Bierland (Blumenau, SC): tradicional cervejaria do Vale do Itajaí, que acompanhou o nascimento do estilo na região.
  4. Schornstein (Pomerode, SC): outra casa histórica do Vale, com lançamentos sazonais de sours frutadas.
  5. Zalaz (Paraisópolis, MG): famosa por sours com frutas da Mantiqueira e pelo cuidado com a fruta fresca.
  6. Dádiva (Várzea Paulista, SP): tem forte linha de sours frutadas e costuma explorar frutas brasileiras.
  7. Way Beer (Pinhais, PR): cervejaria paranaense com sours premiadas e versões que dialogam com o estilo catarinense.
  8. Cervejarias regionais do Norte e Nordeste: procure versões com cajá, cupuaçu, bacuri e taperebá; são rótulos únicos que só existem aqui.

Dica prática: na hora de comprar, leia o rótulo. Uma boa Catharina Sour informa a fruta usada e, idealmente, a data de envase. Prefira garrafas e latas com menos de seis meses e que estejam refrigeradas no ponto de venda.

Catharina Sour vs outros estilos

Catharina Sour vs Gose

As duas são sours leves, mas a Gose leva sal e coentro, o que dá um perfil mineral e salgado. A Catharina Sour não leva sal e depende da fruta. Se você gosta de bebidas tipo “michelada”, vai preferir a Gose; se gosta de suco de fruta, a Catharina Sour.

Cerveja Gose alemã, estilo sour salgado comparado com a Catharina Sour brasileira
A Gose alemã é prima da Catharina Sour, mas leva sal e coentro em vez de fruta obrigatória.

Catharina Sour vs Witbier e Weissbier

A Witbier belga e a Weissbier alemã também são cervejas de trigo refrescantes, mas não são ácidas. A Witbier traz casca de laranja e coentro; a Weissbier, notas de banana e cravo da levedura. A Catharina Sour tem acidez marcante e fruta de verdade.

Catharina Sour vs Saison

A Saison é seca e refrescante como a Catharina Sour, mas o seu caráter vem da levedura, com notas apimentadas e frutadas. Ela pode ter uma leve acidez, mas não é uma sour de verdade. É uma boa próxima parada para quem gosta de Catharina Sour e quer algo mais complexo.

Catharina Sour vs Pilsen e Lager

A Pilsen é o oposto em quase tudo: limpa, amarga, sem fruta e sem acidez. O que as duas têm em comum é o teor alcoólico e a leveza. Muita gente acostumada com a lager do dia a dia se surpreende positivamente com a Catharina Sour, justamente por ser tão fácil de beber quanto. Se você quer comparar com outros estilos de forma ampla, confira o guia de tipos de cerveja artesanal.

Perguntas frequentes sobre Catharina Sour

O que é cerveja Catharina Sour?

Catharina Sour é um estilo de cerveja ácida, leve e refrescante criado em Santa Catarina. Ela é feita com acidificação na tina (kettle sour) por lactobacilos e recebe uma grande quantidade de fruta fresca, o que dá aroma e sabor frutados intensos. Tem entre 4% e 5,5% de álcool e amargor quase nulo.

A Catharina Sour é mesmo um estilo brasileiro oficial?

Sim. A Catharina Sour foi aceita pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) em 2018 como estilo provisório e entrou nas diretrizes de 2021 na seção de estilos locais, com o código X4. É o primeiro estilo de cerveja nascido no Brasil reconhecido internacionalmente.

Qual a diferença entre Catharina Sour e Berliner Weisse?

As duas são sours leves feitas com lactobacilos, mas a Berliner Weisse clássica tem álcool mais baixo (cerca de 3%) e geralmente não leva fruta no processo. A Catharina Sour é um pouco mais alcoólica, de 4% a 5,5%, e a fruta fresca é obrigatória e protagonista do sabor.

Quais frutas são usadas na Catharina Sour?

Qualquer fruta pode ser usada, mas as versões mais famosas levam frutas brasileiras ou cultivadas no Brasil: maracujá, goiaba, pitanga, jabuticaba, acerola, cajá, butiá, manga, pêssego, morango e uva. O regulamento pede que a fruta seja fresca ou minimamente processada, nunca xarope ou aroma artificial.

A Catharina Sour é amarga?

Não. O amargor fica entre 2 e 8 IBU, o que é praticamente imperceptível. O lúpulo é usado em quantidade mínima justamente porque inibe os lactobacilos e brigaria com a acidez. O equilíbrio da cerveja vem da acidez contra o dulçor da fruta, não do amargor.

Qual a temperatura ideal para servir Catharina Sour?

Entre 4 °C e 7 °C. Mais gelada do que isso, os aromas de fruta ficam fechados; mais quente, a acidez pode parecer agressiva. Uma dica prática é tirar a garrafa da geladeira cerca de cinco minutos antes de servir.

Posso fazer Catharina Sour em casa?

Pode, e é um dos estilos sour mais acessíveis para o cervejeiro caseiro porque usa o método kettle sour: o mosto é acidificado com lactobacilos antes da fervura, que depois mata as bactérias. O cuidado principal é manter o mosto aquecido (entre 35 °C e 45 °C) e protegido do oxigênio durante a acidificação.

Catharina Sour combina com que comida?

Combina muito bem com pratos leves, ácidos ou gordurosos que pedem limpeza de paladar: ceviche, moqueca, pastel de feira, coxinha, queijo coalho grelhado, salada com frutas e sobremesas como cheesecake de goiaba ou pavê de maracujá. Evite pratos muito apimentados ou muito amargos.

Quanto tempo dura uma Catharina Sour depois de envasada?

Por ser uma cerveja de fruta, o melhor momento é nos primeiros três a seis meses após o envase, quando o aroma da fruta está mais vivo. Ela não estraga rapidamente por causa da acidez, mas perde frescor com o tempo. Guarde sempre refrigerada e em pé.

A Catharina Sour é a prova de que o Brasil não só bebe cerveja: também cria estilos que o mundo respeita. Ácida, leve, frutada e feita com a cara do nosso clima, ela é a cerveja perfeita para o verão e uma ótima porta de entrada para o universo das sours. Na próxima vez que encontrar uma Catharina Sour de maracujá, goiaba ou jabuticaba, peça, sirva bem gelada numa taça e repare em como a fruta e a acidez conversam. E se ficou com vontade de conhecer mais cervejas ácidas, continue pelo nosso guia completo de cerveja sour e pelo da cerveja Gose.